Startups de agro deslancham no Brasil

Setor está entre os dez que mais atraem investidores no país, segundo pesquisa; conheça alguns negócios que estão dando certo

Globo Rural

Sílvia Azevedo, 46, e Daniel Consalter, 30 anos, produzem equipamentos capazes de analisar a composição química de alimentos, e ganharam como reconhecimento o apoio da Embrapa. Leandro Dupin, 31 anos, preside um mercado online de produtos orgânicos, e faturou R$ 3 milhões em 2015. Fabrizio Serra, 28 anos, fundou um clube de assinaturas de cápsulas de café, e pretende neste ano alcançar 20 mil clientes pelo Brasil. Já os sócios Gabriela Mendes, 29, Luiz Tângari, 40, e Carlos Gonçalves, 25, planejam a primeira expansão de uma plataforma digital de monitoramento de pragas e doenças que criaram e já está sendo usada em quase 1 milhão de hectares no Brasil, com apenas dois anos de existência.

Apesar das diferenças entre cada um destes negócios, as pessoas à frente deles têm muito em comum. Todas elas fazem parte de uma geração de empreendedores que resolveram investir no desenvolvimento de inovações, com potencial para crescer e dominar o mercado agropecuário. As startups, como são conhecidas, se popularizaram principalmente no setor de tecnologia digital, e hoje são a principal porta de entrada de quem deseja ter seu próprio negócio.

No Brasil, mesmo com as incertezas da economia, as startups vivem um bom momento. Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Startups (ABstartups) mostrou que a quantidade dessas empresas no país cresceu 18% somente entre março e dezembro do ano passado. Juntas, já movimentam aproximadamente R$ 2 bilhões por ano. De acordo a Fundacity, uma plataforma especializada em aplicações de capital, apenas no primeiro semestre de 2015 as startups brasileiras receberam mais de R$ 170 milhões de investimentos. Ainda segundo o estudo, agronegócio, biotecnologiae tecnologias verdes estão entre os dez setores com mais chances de atraírem investidores.

A diversidade no ramo de atuação é característica das startups do agronegócio. Enquanto algumas faze intermediação de negócios entre produtor e consumidor, outras desenvolvem tecnologias adaptadas para serem usadas no campo ou na indústria.

Os mineiros Gabriela Mendes, Luiz Tângari e Carlos Gonçalves também viram oportunidade de negócio no agropecuária mesmo não tendo muita ligação com o setor. Eles fundaram a Strider, uma plataforma voltada ao monitoramento em tempo real de pragas e doenças, que já está sendo testada por universidades e produtores de uva nos Estados Unidos. A tecnologia foi desenvolvida em parceria pelos três sócios — Gabriela é designer gráfica, Luiz é engenheiro de software e Carlos, formado em sistemas de informação — e viabilizada após aporte de um fundo de investimento.

Com os resultados colhidos em dois anos, eles agora planejam o primeiro passo de expansão do serviço, que deve contar com outros módulos e funções. Segundo Gabriela, uma das etapas mais importantes no desenvolvimento foi a de testar a tecnologia na prática. “A Strider nasceu no campo. Logo que desenvolvemos o software, colocamos umtablet nas mãos de agrônomos para que eles testassem e avaliassem a ferramenta. Isso nos permitiu saber se o produto era viável e realmente ajudaria nas operações de campo,” diz.

Para André Ghignatti, um dos fundadores da Wow Aceleradora, o agronegócio ainda é pouco explorado pelas startups, e por isso oferece tantas oportunidades de crescimento. “Nos últimos três anos os empreendedores perceberam a infinidade de oportunidades existentes no campo. As soluções importadas muitas vezes saíam caras e não estavam adaptadas à nossa realidade. Isso mostrou como valia mais a pena identificarmos nossos problemas e demandas e com isso criarmos iniciativas próprias”, afirma.

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